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por Victor Nascimento | 10 out 2013

"De Terça a Terça", "A Outra Pátria" e "Eu e Você".


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De Terça a Terça

De Terça a Terça -

De cara, “De terça a terça” é interessante apenas por ser argentino, mas vai ganhando sua confiança até que não decepciona. Talvez não faça histórica porque, embora redondinho, é um lugar comum. A Argentina está tão bem que precisa de algo muito maior pra chegar a se destacar. Tudo bem, o filme tem um charme próprio e Alejandro Awad convence com seu Juan, além de todo o elenco que possui uma gama de figuras próprias: supervisor mala, intrometido e ameaçador; o segurança do trabalho que fica de gracinha; a esposa fiel; a filha que nunca vê; simpática moça de loja; pessoa má.

De trilha sonora poderosa, o longa torna-se agradabilíssimo de assistir, mas desejamos sorte aos próximos.

Diretor(a): Gustavo Fernández Triviño

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A Outra Pátria

A Outra Pátria -

“Primeira incursão concebida para o cinema de Heimat, série que abarca, todo um século de eventos. Aqui o diretor continua suas crônicas da fictícia vila de Schabbach. Na metade do século XIX, a vida está difícil no local, há pouca comida e trabalho, e muitos questionam se vale a pena abandonar sua terra natal. Entre os preocupados está o jovem camponês Jakob, que lê todos os livros que caem em suas mãos. Ele passa a estudar a língua de povos indígenas primitivos e a sonhar em como seria a vida nas selvas do Brasil.”

Com uma promessa dessas, fica-se, no mínimo, curioso a respeito. Diante de tantos filmes e pouco tempo pra saber mais sobre os mesmos, nos surpreendemos com cada elemento, pro bem e pro mal, mas na abertura de “A Outra Pátria”, já se sabe que será um bom filme.

Um preto e branco espetacular orquestra o universo do filme, - vez ou outra, um objeto em destaque colorido, algo já feito antes, mas ainda assim, com toque pessoal – ao longo do mesmo, temos a trama desenhada. Começo dizendo que é um dos filmes mais completos feitos atualmente - pode ser que demore pra ganhar alguma importância, mas um trabalho minucioso como esse há de ser reconhecido. Trama diferente – ou igual, mas bem contada -, elenco encaixado, historicamente importante, com um toque de fantasia e questionador de valores.

Sobretudo, é uma estória sobre partir. De certa forma, como essa grande necessidade que muitos de nós temos ajudou a tecer o mundo de hoje, por mais inocentes que as pessoas pudessem ser, gerando algumas piadas particularmente engraçadas para nós, brasileiros.

Filme de força pra deixar de se entreter. Ao mesmo que possui muito da melhor técnica possível, também traz o ar cult de vilas alemãs do século. Lembrando “A Fita Branca” de Michael Haneke e os filmes de Andrei Tarkovsky como “Andrei Rublev” e até mesmo “Stalker”, certamente, Heimat chamará a atenção, pelo menos, da área cult-história-fantasiosa dos cinéfilos. Se o padrão continuar o mesmo, tudo bem.

Diretor(a): Edgar Reitz

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Eu e Você

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Pra quem teve a oportunidade de ler o livro “Eu e Você” sabe que não se trata de uma grande estória. Não pela ideia original em si, mas por seu desenvolvimento. A obra é curta demais pra ser bem explorada. Contudo, aproveitei a oportunidade de assistir o novo de Bertolucci por ser um Bertolucci e, claro, por curiosidade, como uma aula de cinema onde se transforma frases vagas em grandes obras de arte.

O diretor não decepcionou e acertou na escolha do elenco mantendo personagens comuns do seu universo. O moleque esquisito que prefere ficar sozinho e garota desiquilibrada, porém sensual. Jacopo Antinori e Tea Falco seguram muito bem seus personagens, sendo o primeiro um adolescente que assume suas mudanças e a segunda uma beleza agressiva como uma mistura de Eva Green com Louis Garrel que já foram gêmeos em “Os Sonhadores”, outro dos trabalhos do diretor.

Um dos raros casos de livros cujas adaptações são melhores, a produção aposta alto num grande quesito em filmes do diretor, a trilha sonora. Indo de David Bowie a Red Hot Chili Peppers, Bertolucci costura o que reafirma seu grande talento no que faz.

Diretor(a): Bernardo Bertolucci

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